VoIP é uma tecnologia que vem se consolidando a cada dia. Muitas empresas o adotaram na comunicação entre escritórios e seus clientes e fornecedores. Embora não seja a única vantagem dessa tecnologia, o fator mais influente foi o preço. VoIP possibilita comunicação entre pontos distantes gerando custos muito baixos, pois usa a rede global de computadores, a Internet. Isto faz o que a maior parte da voz trafegue no trecho sem fronteiras da Internet, e somente no final ela se conecta à rede convencional de telefonia, isso se necessário.
Porém no começo, o entusiasmo dessa nova possibilidade se converteu em frustração. Mesmo que a tecnologia estivesse pronta para uso, muitos casos não tiveram sucesso por causa de falta de know-how. Isso fez com que muitos perdessem a fé no VoIP, por questões de qualidade de áudio inferior à esperada, interrupções de serviço, entre outros.
Felizmente há solução para os problemas mais corriqueiros, ou pelo menos maneiras de minimizar seus efeitos. Neste âmbito, fala-se muito em Qualidade de Serviço (do inglês QoS ou Quality of Service). As técnicas de QoS podem ser divididas da seguinte maneira: Classificação de Serviço (CoS) e Qualidade de Serviço (QoS).
No primeiro grupo estão padrões que tem como objetivo classificar tráfego e priorizar seu fluxo na rede. Este pode se limitar ao escopo do link de dados ou se estender através de várias redes, até o ponto final. O segundo grupo contém padrões que garantem recursos (banda) da rede para o tráfego de voz. Este não garante que haverá prioridade no processamento do fluxo, apenas aloca recursos.
CoS
Em classificação de serviços cito dois padrões: 802.1p e DiffServ.
O primeiro se limita ao escopo de data link, e para sua classificação usa-se 3 bits do cabeçalho Ethernet. Ele é semelhante ao campo ToS (Type of Service) do cabeçalho IP. As classes são numeradas de 0 à 7, sendo cada uma reservada para um tipo de prioridade. A mais comum em VoIP é a classe 5, que é usada para aplicações críticas.
DiffServ é um padrão definido na RFC 2474, que usa o campo ToS de maneira mais eficiente, podendo extrapolar o domínio local com uma política fim-a-fim. Um roteador de borda marca devidamente o pacote e o repassa à WAN. Na núvem da Internet, os roteadores normalmente lêem sua prioridade e o tratam da maneira correta, sem reclassificação. A maior parte das implementações de DiffServ suportam apenas 3 bits para marcação, porém é possível casos com 6 bits, através de extensões DiffServ.
QoS
A qualidade do serviço está relacionada diretamente à disponibilidade de recursos. As disciplinas de QoS estão focadas na garantia de banda passante, e não na priorização. Portanto, não há garantia que o pacote terá processamento agilizado, apenas uma maior vazão. Neste âmbito, cito o Resource Reservation Protocol (RSVP). O RSVP é um protocolo que tem como finalidade garantir banda fim-a-fim, negociando reserva de banda a cada roteador envolvido na conexão do ponto origem do fluxo ao pronto final. À primeira vista parece ser a solução para o VoIP, e realmente seria, se o RSVP não consumisse tanto processamento e atraso na rede devido à negociação. A rede da Internet entraria em colapso caso seu uso fosse em larga escala.





